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Efeito da Inoculação de Azospirillum brasiliense no milho safrinha

Por em 5 de fevereiro 2018 -
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João Pedro Kroling Ramos(1), Winy Louise da Silva Carvalho(1), Virgínia Helena de Azevedo(2), Patrícia Helena de Azevedo(2), Luciana Alves Martins(1), Fabrício Copetti Dambrós(1)  e André Luiz Klein(1)

 

Milho safrinha

 

1. Introdução
A cultura do milho apresenta grande importância econômica e social para o Brasil, gerando emprego e renda em diversos setores. A região Centro Oeste é a principal produtora nacional. Em Mato Grosso, na safra 2016/2017 houve incremento na área cultivada com milho safrinha de 11,2% em relação à safra anterior. A produtividade média estimada para o estado foi 6.160 kg ha-1, 54% superior à safra passada (CONAB, 2017).

Para garantir a produtividade da cultura é necessário o emprego de fertilizantes na lavoura. Em relação aos macronutrientes fornecidos pelos fertilizantes, o nitrogênio desempenha papel fundamental para o aumento da área foliar, produção de matéria seca, teor de proteínas nos grãos e consequentemente produtividade de grãos, no entanto, representa um item considerável nos custos de produção.

Considerando os aspectos mencionados, há necessidade de investimento em estratégias que envolvam a redução de custos de produção na propriedade, garantindo a produtividade da cultura. Nesse sentido, é importante a avaliação das possíveis vantagens da utilização de inoculantes que contenham bactérias promotoras de crescimento como o Azospirillum (Quadros et al., 2014). Existem diferentes bactérias diazotróficas capazes de reduzir N2, sendo o gênero Azospirillum uma de grande potencial.

A utilização dessa bactéria pode se configurar como alternativa para aumentar a disponibilidade de nitrogênio à cultura, reduzindo custos do produtor com adubos sintéticos. Portanto, objetivou-se com este trabalho avaliar o efeito da inoculação da bactéria Azospirillum brasiliense na produtividade do milho safrinha em Diamantino – MT.

2. Material e Métodos
O experimento foi conduzido na safrinha de 2017, no município de Diamantino – MT (14° 44′ 07” S, 56° 43′ 36” W e 417 m de altitude). Foi semeado o híbrido BM780 PRO (Tecnologia VT PRO YieldGard) com aplicação de 100 mL do inoculante comercial (NoduGram L) para 60.000 sementes, contendo a bactéria Azospirillum brasiliense, estirpe SEMIA Ab-V5. A semeadura foi realizada no dia 25/02/2017 e a colheita em 08/07/2017.

Foram utilizados 43 kg ha-1 de P2O5 na semeadura e 32 kg ha-1 de K2O apenas em cobertura em todos os tratamentos. A adubação de cobertura foi realizada no estádio V4 (quatro folhas), aproximadamente aos 21 dias após a semeadura (DAS).

Foram avaliados cinco tratamentos dispostos no delineamento experimental em blocos casualizados com quatro repetições, sendo: T1) adubação com 9 kg ha-1 de N na semeadura e 48 kg ha-1 em cobertura, sem inoculação; T2) adubação com 9 kg ha-1 de N na semeadura e 48 kg ha-1 em cobertura, com inoculação de A. brasiliense; T3) adubação com 9 kg ha-1 de N na semeadura e 24 kg ha-1 em cobertura, sem inoculação; T4) adubação com 9 kg ha-1 de N na semeadura e 24 kg ha-1 em cobertura, com inoculação A. brasiliense; e T5) adubação com 9 kg ha-1 de N na semeadura e 24 kg ha-1 em cobertura, com duas doses do inoculante (200 mL do inoculante para 60.000 sementes).

As parcelas experimentais foram constituídas de 13 linhas de 10,0 m de comprimento, sendo distribuídas 2,7 sementes por metro linear, no espaçamento entre linhas de 0,45 m, totalizando uma área de 58,5 m2 e população de 60.000 plantas ha-1.

Aos 13 DAS foi feita aplicação de herbicidas pós-emergente (atrazina na dose de 3,0 L ha-1 e Accent na dose de 30 g ha-1 do produto comercial); e inseticida Mustang 350 EC (zeta-cipermetrina 350 g L-1, grupo químico: piretróide) na dose de 150 mL ha-1. Aos 45 DAS foi feita uma aplicação do fungicida Authority (estrobilurina + triazol) na dose de 500 mL ha-1 do produto comercial.

Na colheita foram avaliadas as seguintes características: altura de planta e de inserção da primeira espiga, comprimento e diâmetro de espiga, número de fileiras de grãos e produtividade de grãos. As avaliações foram feitas a partir de espigas colhidas da área útil, sendo esta representada pelas 11 linhas centrais de cada parcela excluindo-se 0,5 m das extremidades de cada linha. A umidade dos grãos foi corrigida para 13% (base úmida).

Os resultados foram submetidos ao teste F da análise de variância e as médias dos tratamentos comparadas pelo teste Tukey a 5% de probabilidade.

3. Resultados e Discussão
Verificou-se pouca variação entre os tratamentos para os caracteres avaliados. De forma geral, as variáveis avaliadas não foram afetadas pela inoculação com A.brasiliense e pela variação na adubação de cobertura com nitrogênio (Tabela 1).

Tabela 1. Resumo da análise de variância e valores médios dos caracteres altura de plantas (AP), altura de inserção da espiga (AIE), comprimento de espiga (CE), diâmetro de espiga (DE), número de fileira de grãos (NFG) e produtividade de grãos (PROD) de milho safrinha em função da inoculação com A. brasiliense. Diamantino – MT (safrinha de 2017).

Tratamento

AP

(m)

AIE

(m)

CE

(cm)

DE

(cm)

NFG

PROD

(kg ha-¹)

1 2,77 ab 1,36 a 14,3 a 4,7 a 17,2 a 8.376,0 a
2 2,80 a 1,40 a 14,0 a 4,2 a 16,5 a 7.846,8 ab
3 2,65 bc 1,30 a 14,0 a 4,0 a 15,7 a 7.351,8 ab
4 2,62 c 1,32 a 14,2 a 4,5 a 17,0 a 7.947,8 b
5 2,77 ab 1,32 a 14,2 a 4,5 a 17,0 a 7.062,8 b
Teste F 6,70* 1,66ns 0,25ns 1,26ns 2,89ns 5,05*
CV (%) 2,30 4,53 3,01 11,55 4,20 5,95
Média Geral 2,72 1,34 14,16 4,40 16,7 7.716,9
* e ns: significativo a 5% de probabilidade e não significativo, respectivamente. Médias seguidas por mesma letra
na coluna não diferem pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. CV: coeficiente de variação.

A média geral de altura de plantas de milho foi 2,72 m. Essa variável foi influenciada pela inoculação das sementes e por doses de nitrogênio em cobertura. As maiores doses (48 kg ha -1 ) com e sem inoculante, e 24 kg ha -1 com duas doses do inoculante proporcionaram as maiores alturas. No entanto, Cavallet et al. (2000) e Francisco et al. (2012) não observaram diferenças nessa característica em função da inoculação com Azospirillum.

Com relação à altura de inserção da primeira espiga, comprimento e diâmetro de espiga e número de fileiras de grãos, verificou-se que não houve variação entre os tratamentos. Cavallet et al. (2000) observaram que a inoculação com Azospirillum em milho, promoveu aumento no comprimento médio das espigas. No entanto, a inoculação não proporcionou efeito sobre o número de fileiras de grãos. Cunha et al. (2014) não verificaram aumento no diâmetro de colmo, na altura de inserção de espiga e altura de plantas de milho com a inoculação com A. brasiliense.

Os tratamentos que receberam 48 kg ha -1 de nitrogênio em cobertura, sem e com inoculação com Azospirillum (T1 e T2), respectivamente, e metade da dose de nitrogênio (24 kg ha -1 ) com inoculação (T4), proporcionaram as maiores produtividades de grãos. A utilização de metade da dose de N (24 kg ha -1 ) em cobertura com a inoculação o A. brasiliense proporcionou produtividade semelhante à dose cheia sem inoculação (Tabela 1).

Esse resultado é interessante do ponto de vista econômico, pois é possível, reduzir em 50%os custos com adubação nitrogenada de cobertura na propriedade, com uso da inoculação.

Não foram verificadas diferenças entre os tratamentos que receberam as maiores doses de N em cobertura, sem inoculação e com inoculação. Bartchechen et al. (2010) testando os efeitos da inoculação com A. brasiliense na produtividade da cultura do milho e não observaram diferença significativa entre a dose cheia de N (62 kg ha -1 ) de ureia em cobertura, com a dose cheia de N (62 kg ha -1 ) mais a inoculação da bactéria.

A utilização de 24 kg ha -1 de N em cobertura, acrescido de duas doses do inoculante (T5), não incrementou a produtividade. Acredita-se que exista especificidade entre a estirpe utilizada e o genótipo, influenciando na maior ou menor fixação de nitrogênio para a cultura. Segundo Cavallet et al. (2000) é importante a seleção de estirpes adaptadas às condições locais e às cultivares utilizadas em cada região, sendo necessário testar estirpes de Azospirillum selecionando-se aquelas mais adaptadas a cada situação de clima e de manejo das culturas.

4. Conclusões
As doses de nitrogênio em cobertura, com e sem inoculação de Azospirillum brasiliense, não afetaram os componentes de produção do milho. A aplicação de 24 kg ha -1 de nitrogênio em cobertura com inoculação de A. brasiliense promoveu boa produtividade da cultura do milho safrinha.

 

(1) Estudante(s) de Graduação em Agronomia, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Cuiabá – MT. E-mails: joaopedro_kroling@hotmail.com; winy_carvalho96@hotmail.com; Luciana-am@live.com; fdambros@hotmail.com; andreluizkleinn@gmail.com

(2) Engenheira(s) Agrônoma(s), Professora(s), Dra(s), Departamento de Fitotecnia e Fitossanidade, UFMT, Cuiabá – MT. E-mails: azevedovh@yahoo.com.br; patriciaazevedo@ufmt.br

 

Referências

BARTCHECHEN, A.; FIORI, C.C.L.; WATANABE, S.H.; GUARIDO, R.C. Efeito da inoculação de Azospirillum brasiliense na produtividade da cultura do milho (Zea mays L). Revista Campo Digital, Campo Mourão, v.5, n.1, p.56-59, 2010.

CAVALLET, l.E.; PESSOA, A.C.S.; HELMICH, J.J.; HELMICH, P.R.; OST, C.F. Produtividade do milho em resposta à aplicação de nitrogênio e inoculação das sementes com Azospirillum spp. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, Campina
Grande, v.4, n.1, p.129-132, 2000.

CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento. Acompanhamento da safra brasileira de grãos – safra 2016/2017, décimo primeiro levantamento. Brasília: Conab, 2017. 171p.

CUNHA, F.N.; SILVA, N.F.; BASTOS, F.J.C.; CARVALHO, J.J.; MOURA, L.M.F.; TEIXEIRA, M.B.; ROCHA, A.C.; SOUCHIE, E.L. Efeito do Azospirillum brasilense na produtividade de milho no sudoeste goiano. Revista Brasileira de Milho e Sorgo, Sete Lagoas, v.13, n.3, p.261-272, 2014.

FRANCISCO, E.A.B.; KAPPES, C.; DOMINGUES, L.; FELIPPI, C.L. Inoculação de sementes de milho com Azospirillum brasilense e aplicação de nitrogênio em cobertura. In: CONGRESSO NACIONAL DE MILHO E SORGO, 29., Águas de Lindóia, 2012. Anais…
Águas de Lindóia, 2012.

QUADROS, P.D.; ROESCH, L.F.W.; SILVA, P.R.F.; VIEIRA, V.M.; ROEHRS, D.D.; CAMARGO, F.A.O. Desempenho agronômico a campo de híbridos de milho inoculados com Azospirillum. Revista Ceres, Viçosa – MG, v.61, n.2, p.209-214, 2014.

 



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