Cultura do café: a importância de se conhecer as doenças que atingem essa planta

A cultura do café tem enorme valor em nossa economia, daí a importância de conhecer as principais doenças que afetam a cultura

 A cultura do café tem enorme valor em nossa economia, daí a importância de conhecer as principais doenças que afetam a cultura.

Cultura do café: a importância de se conhecer as doenças que atingem essa planta

O café chegou ao Brasil vindo da Guiana Francesa no início do século XVIII. Com o decorrer dos anos, veio ganhando grande destaque na nossa economia. Atualmente, somos o maior exportador de café do mundo e o segundo maior consumidor. A produção chega a 50,8 milhões de sacas de café de 60 kg, sendo que foram exportados 28,7 milhões de sacas, perfazendo 6,5 bilhões de dólares, representando 6,5% de toda a exportação nacional. Muitos estados brasileiros são produtores de café, entre eles, destacam-se Minas Gerais, São Paulo e Bahia.

Os cuidados com a sanidade da cultura do café é fundamental para que o processo produtivo possa ser concluído com êxito. Por isso, a importância de se conhecer as principais doenças que atingem a cultura do café. As variáveis mais importantes são: o próprio patógeno causador da enfermidade; as condições ambientes, onde o café se desenvolve, e as características da planta para ser susceptível.

Com isso, pode-se partir para ações de prevenção e controle das doenças da cultura do café, por meio da tomada de decisão, para que se desenvolvam ações de manejo integrado, conforme o reconhecimento das condições ambientais, o histórico da área e o uso atual. Assim como o conhecimento do agroecossistema desenvolvido na região.

Ferrugem do Café

O agente causal da Ferrugem do Café é o fungo Hemileia vastratix.

O fungo se desenvolve preferencialmente nas altitudes de 400 a 600 m. As causas da doença são: a carga pendente nas plantas, as condições climáticas favoráveis, as adubações desequilibradas, os espaçamentos, a suscetibilidade das cultivares e outros. O Hemileia vastratix é um fungo com capacidade de sobrevivência somente em tecido vivos, daí a preferência por folhas mais novas e não as totalmente desenvolvidas.

Na parte superior da folha, ocorre a clorose; já na inferior, aparecem pústulas de cor alaranjada que são os uredósporos do fungo. Os sintomas se desenvolvem com a queda das folhas e a redução da produção, que pode chegar a 50%. A volta da produção normal das plantas só retorna depois de 2 períodos produtivos. No inverno e na primavera, a doença se mantém sob controle. No entanto, o quadro se inverte no verão, quando sua incidência pode ser alta.

Cercospora ou Mancha de Olho Pardo

O agente causal da Cercospora é o fungo Cercospora cafeícola.

A doença tem sua maior disseminação, em viveiros ou em plantas com pouco tempo de transplante para o campo. Já em solo com baixa fertilidade, sua ocorrência é maior. Seus sintomas são manchas circulares, de coloração parda e centro branco, com um halo amarelo em volta. A doença é facilmente disseminada entre folhas e plantas vizinhas por meio do vento. Ela causa chochamento e queda dos grãos podendo gerar a queda de produtividade. Da mesma forma, pode ser um dos fatores de predisposição da planta à seca dos ponteiros.

Mancha de Phoma

O agente causal da Mancha de Phoma é o fungo Phoma ssp.

A incidência da doença está relacionada à ocorrência de baixas temperaturas e aos ventos frios, por isso depende muito da localização da lavoura. No entanto, a doença pode ocorrer em viveiros e em situações de fortes irrigações, o que causa a morte das mudas. Esses fatores climáticos estão relacionados à sua severidade na planta. A doença causa aparecimento de lesões escuras, mumificações e queda de chumbinhos. Com a morte das ramificações, ocorrem superbrotamentos e aumento de ramos laterais. Nos frutos novos, ocorrem manchas escuras, úmidas e deprimidas.

Mancha Aureolada

O agente causal da Mancha Aureolada é a bactéria Pseudonomas syringae PV. Garcae.

Essa doença geralmente ocorre em meses frios, com a incidência de baixas temperaturas associadas a chuvas finas. As plantas com idades de 3 a 4 anos são as mais atingidas, mas a doença também pode ocorrer em viveiros de mudas. Seus sintomas ocorrem em vários órgãos da planta: folhas, rosetas, frutos novos e ramos. Nas folhas, ocorrem manchas necróticas, de cor parda-escura, com tamanho de 0,5 a 2,0 cm, com halo amarelado. A doença, quando incide nos ramos, causa requeima. Já nos frutos novos, em fase de chumbinho, causa necrose. Nos viveiros, causa desfolha e seca dos ponteiros, podendo causar a morte da muda.

Essa doença penetra na planta devido a lesões causadas por danos mecânicos ou por insetos.

Requeima do Cafeeiro

O agente causal da Requeima do Cafeeiro é a bactéria Xilella fastidiosa.

Essa bactéria convive com os cafezais, há muitos anos, e pode se tornar severa quando em condições de estresse ou desequilíbrios nutricionais. Ela é disseminada principalmente por material propagativo infectado e por insetos vetores, como as cigarrinhas da família Ciccadelidae. Os principais sintomas surgem nas folhas, como o enrolamento e a requeima dos bordos das folhas. As plantas infectadas apresentam tamanhos reduzidos, encurtamento de entrenós e clorose. Quando os sintomas são agudos, ocorre a seca dos ramos.

Ainda existem outras doenças importantes, como as causadas por nematoides, ou ainda as causadas por fungos, como a Antracnose, a Fusariose e a Rizhoctoniose. O importante é saber identificá-las, assim como o histórico de sua ocorrência na região. Nas que ocorrem com maior frequência, é importante tomar as medidas preventivas cabíveis e fazer o monitoramento do cafezal para o controle adequado.

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Andréa Rocha 14-08-2013 Cafeicultura

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