Cultura do coco: saibam quais são os principais tratos culturais

Na cultura do coco, alguns tratos culturais, principalmente no que diz respeito às entrelinhas, são primordiais para o sucesso da cultura

 Na cultura do coco, alguns tratos culturais, principalmente no que diz respeito às entrelinhas, são primordiais para o sucesso da cultura.

Cultura do coco: saibam quais são os principais tratos culturais

A cultura do coqueiro tem sua origem no sudeste Asiático e foi introduzida, em nosso país, no Estado da Bahia. O litoral nordestino é o maior produtor dessa palmeira, totalizando 90% da produção nacional. Enquanto o Brasil detém apenas 15% da produção mundial, pois ainda não é autossuficiente na produção desse fruto. Há uma diversidade muito grande de aproveitamento do coco, gerando cerca de 360 produtos, sendo 200 voltados para a alimentação. O consumo "in natura", doces, água-de-coco e coco ralado são exemplos de utilização do coco na alimentação.

O lenho do coqueiro pode ser usado na marcenaria e como ornamentação. As folhas podem ser usadas para confecção de balaios, chapéus e outros. O coco gigante, que pode chegar a 25m de altura, produz o coco seco, muito utilizado nas indústrias alimentícias; já o coco anão, que pode chegar até 1,80 m, produz coco para o consumo "in natura". Na cultura do coco, são feitos tratos culturais importantes e consórcios nas suas entrelinhas, o que gera um melhor aproveitamento da área de plantio. Na fase jovem da planta, até 3 ou 4 anos, o desenvolvimento e o início da produção de coco devem ser adiantados; já na fase adulta, os tratos culturais adequados devem fazer com que essa produção aumente e se mantenha regular.

Gradagem

No cultivo de cocos gigantes, em regiões de sequeiro, a gradagem do solo representa um trato cultural que promove o controle de plantas invasoras com bastante eficiência. Com o passar do tempo, é preciso ter cuidado com essa prática, principalmente em solos de tabuleiros, pois pode provocar erosão e lixiviação de nutrientes, além da degradação das propriedades físicas, químicas e biológicas destes.

Essa prática deve ser feita no final das chuvas e início do período seco, com a finalidade de se incorporar restos vegetais no solo. Entretanto, este deve ser revolvido, no máximo, à profundidade de 20 cm e à distância de 2 m da estipe do coqueiro, para evitar que haja o corte das inúmeras raízes.

Nas regiões em que chove bastante, ou em plantios irrigados, não se recomenda essa prática pelos fatores já comentados anteriormente.

Roçagem nas entrelinhas

No caso dos plantios de coco anão e de coco híbrido, é recomendado que se faça a roçagem das entrelinhas da cultura. Essa prática constitui umas das mais importantes, pois visa ao controle de plantas invasoras que concorrem por água e alimentos na cultura do coco.

Deve-se tomar cuidado com o ocorrência da gramínea chamada capim gengibre (Paspalum maritimun L.), muito comum no Nordeste do Brasil. Esta é de difícil controle, pois seus pontos de crescimento encontram-se abaixo da linha de corte da roçadeira, fazendo com que a capim gengibre se alastre rapidamente.

Consórcio nas entrelinhas

É muito utilizado quando a cultura do coqueiro está com idade jovem, até seus 3 a 4 anos. Principalmente para os pequenos agricultores, que aproveitam a área para plantar culturas de subsistência, como feijão, milho e arroz. Esses cultivos são feitos no período das chuvas, requerendo cuidados para se ajustar o espaçamento da cultura, o que evita a concorrência com os coqueiros e auxilia na mecanização. É  importante que estejam distantes 2 m da estipe da planta.

Para escolher a cultura de  consórcio a ser implantada, deve-se levar em consideração sua adaptação climática, o tipo de solo e demais condições agronômicas, assim como o mercado regional.

Essa prática diminui o uso da roçagem e gradagem, melhorando e preservando as características do solo, bem como controlando as plantas invasoras.

Outro consórcio bastante utilizado é o plantio de leguminosas nas entrelinhas, pois fixa o nitrogênio da atmosfera e o incorpora no solo, serve de cobertura verde, além de aumentar a matéria orgânica, melhorando as características químicas, físicas e biológicas do solo.

Consórcio nas faixas de plantio

É feito, com bastante proveito, nas culturas irrigadas, nos 3 a 4 primeiros anos, na pré-produção. A cultura do mamão é a mais utilizada, já que pode ser adequada ao espaço entre plantas, que é de 4 m, para o crescimento radicular ideal. Além disso, pode-se utilizar a irrigação que já está em funcionamento para a cultura do coco. As melhores experiências são com 4 plantas de mamão entre coqueiros. Outra vantagem é que a cultura tem 3 anos de duração, o que também é muito conveniente nessa fase inicial do coqueiro, ainda sem produção.

Associação com animais

A criação de bovinos ou ovinos é bastante comum em meio ao plantio de cocos. No entanto, deve-se usar pastagens naturais, ao invés das do gênero Brachiaria, devido à competição por nutrientes e água. Em termos de produção, essa associação ajuda muito a diminuir os custos gerais da propriedade rural. Em propriedades irrigadas, a escolha de gado bovino não é adequada devido a possíveis danos ao sistema. Há uma grande economia, em relação ao controle de plantas daninhas e revolvimento do solo, além do aproveitamento do esterco na cultura do coco.

Aproveitamento de restos de culturas

Geralmente, quando se retira do coqueiro as folhas secas, os cachos e as cascas, estes são queimados. Nem a cinza é aproveitada na lavoura. Seria bom se, na limpeza, estes restos orgânicos fossem espalhados nas entrelinhas e triturados com a roçadeira. Dessa forma, poderia ser feita uma cobertura, na copa dos coqueiros, com esse material triturado, já que este é fonte de matéria orgânica e nutrientes, além de conservar a umidade e melhorar as características do solo.

A condução bem feita dessas práticas e a adoção das associações citadas acima são passos importantes para a diminuição dos custos, aumentar as produções e diversificar a propriedade, principalmente as pequenas. Assim, a cultura do coco pode mostrar sua força em um país onde a produção de coco é ínfima em relação a outros países.

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Andréa Rocha 26-07-2013 Cultivo de Coco

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