Como criar paca

A paca é considerada uma excelente candidata à exploração zootécnica e adaptação ao cativeiro

A paca é um animal que se adapta a ambientes muito variados

paca

A paca é considerada uma excelente candidata à exploração zootécnica e adaptação ao cativeiro, sendo nativa dos bosques tropicais. Em virtude da alta qualidade de sua carne, os habitantes dessas faixas vêm tentando criá-las em cativeiro durantes anos. Tais experiências demostraram que, modificando o comportamento original durante as fases iniciais da sua vida, elas se convertem em animais sociáveis, perdendo grande parte da agressividade.

A paca é um dos maiores roedores do Brasil, só perdendo, em tamanho, para a capivara. O corpo da paca é longo e robusto, com listras longitudinais brancas, interrompidas ou não sob um fundo pardoamarronzado. Os pelos são baixos e um tanto rígidos. As pernas são curtas e os pés possuem cinco dedos, providos de unhas muito fortes, que mais se assemelham a cascos do que unhas propriamente ditas.

Tais animais possuem, ainda, a cabeça bem grande, com a região das bochechas bem desenvolvidas; orelhas pequenas, cauda vestigial, em forma de um pequeno tubérculo. São animais de vida solitária, tímidos, que procuram por locais afastados das habitações humanas. No entanto, estes animais adaptam-se a ambientes muito variados, mas preferem as zonas cobertas com vegetação alta, vizinhas a rios ou riachos. São boas nadadoras, refugiando-se na água quando estão em perigo.

Para aqueles que desejam iniciar uma criação de pacas em cativeiros, recomenda-se a utilização de um galpão de alvenaria com capacidade para abrigar os boxes. As instalações constarão de boxes que deverão possuir uma área coberta e com piso de concreto. A área externa poderá ser constituída de piso natural (solo).

Para o plano de manejo, começando pelo reprodutivo, cada box deverá contar com um módulo de reprodução. Este grupo deverá ser formado por animais já socializados ou mesmo capturados na natureza. Nos dois casos, deverá ser observado o cio das fêmeas, por meio de sinais típicos. Detectado o cio, deve-se inspecionar, diariamente, a busca de fluidos vaginais. Se confirmado o cruzamento, passa-se à busca de sinais da proximidade do parto para que todos os cuidados necessários sejam tomados na fase do pré-parto.

Depois do parto, deve-se tomar as devidas precauções para evitar o infanticídio, que é a possibilidade de uma fêmea matar a cria de outra companheira. Por essa razão, aconselha-se aos produtores que eles fiquem atentos às fêmeas prenhes antes, durantes e depois do parto. Se for detectado alguma agressividade por parte de outras pacas, deve-se fazer a separação imediatamente.

O produtor deve ter em mente que o sucesso da criação de pacas irá depender muito da habilidade do tratador/criador em formar colônias estáveis, harmônicas e com alta performance reprodutiva. No procedimento de formação de grupos sociais existem incompatibilidades e, eventualmente, alguns animais não são aceitos pelo resto do bando, o que acaba gerando agressões e ferimentos. É necessário, portanto, um plantão constante para verificar a aceitação e proceder à operação de apartação caso necessário.

Além disso, as primeiras gerações de pacas silvestres, nascidas em cativeiro, apresentam características de seus ancestrais selvagens e, em algumas ocasiões, comportam-se como eles. À medida que vão sendo criadas mais pacas, os criadores podem observar e identificar os indivíduos que apresentam as características desejadas, tal como condutas dóceis e aprazíveis, para utilizá-los como reprodutores das futuras gerações, originando crias que contenham somente as características desejadas pelos criadores.

Para maiores informações a respeito dessa criação, consulte o curso Criação Comercial de Paca, elaborado pelo CPT - Centro de Produções Técnicas. O curso conta com a coordenação do Zootecnista Fábio M. Hosken, que aborda temas como biologia da paca, iniciando um criatório, instalações, manejo, nutrição, entre outros. Leia também nosso outro artigo Criação de pacas.

Beatriz Lazia 02-01-2013 Animais Silvestres

Deixe um Comentário

Comentários

Não há comentários para esta matéria.